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Geração Bendita - O Filme No
final dos anos 60, brasileiros de vários cantos do país,
e estrangeiros, constituíram um grupo de 68 pessoas que se estabeleceram
nos arredores da cidade de Nova Friburgo, Estado do Rio de Janeiro - Brasil,
com o propósito de vivenciar um sistema baseado na Natureza e no
trabalho com o artesanato. O
acampamento durou cerca de 3 anos. Entretanto, mesmo longe dos grandes
centros, o ritual e a filosofia dos hippies eram contestados pelos conservadores.
Com o intuito de divulgar sua maneira de ser, surgiu a possibilidade de
transformar essa mensagem em um documentário através do
que viria a ser chamado, posteriormente, "o primeiro filme hippie
brasileiro". Assim,
durante três meses, as casas dos sítios - Quiabo's e Abóboras
- foram transformadas em galpões cinematográficos, na virada
dos anos 70. O
Osservatore Della Domênica, órgão do Vaticano,
escreveu: Os hippies são, na maioria, jovens que renegaram a sociedade
em que viviam, precisamente por abominarem a violência sob qualquer
forma". E, naquela ocasião, Carlos Bini tinha deixado a profissão
de advogado para ser ator e diretor de uma obra que iria contestar exatamente
tudo aquilo que ele tinha abandonado. Juntando-se
ao grupo, que ensejava realizar um trabalho de divulgação
de sua maneira alternativa de viver, e já contando com alguns recursos
técnicos, uniu-se a Carl Kolher, um dos principais mentores do
projeto e proprietário das terras onde os grupos viviam, assim
como a outros profissionais do ramo, iniciaram-se as gravações
do Filme, inicialmente intitulado "Geração Bendita". Porém,
enquanto comunidade que buscava formas e maneiras diferentes de viver,
e em face da política então instalada no país, foram
confundida com uma célula comunista, não ficando livres
da repressão. Por conta desse mal entendido, Carlos Bini ficou
três dias detido. "Naquela
época, quem pensava, quem tinha poder de criação
era mal visto pela ditadura militar porque era uma pessoa que pensava,
podia ser contra a ditadura. Aí, nós começamos a
ser perseguidos por um delegado aqui em Friburgo, que chegou até
o cúmulo de raspar os cabelos de todo o elenco... Fomos presos,
encarcerados e tivemos que convocar advogados para nos soltar, porque
nós estávamos apenas fazendo o filme! O nosso pecado era
porque nós éramos cineastas", conta Carlos Bini. O
fato teve repercussão ampla na Imprensa da época (Jornal
do Brasil, Correio da Manhã, Última Hora, O Dia, nas revistas
Manchete, Fatos e Fotos, e outros, inclusive na Imprensa estrangeira). Apesar
das dificuldades decorrentes, o filme foi concluído. Porém,
uma vez terminado, foi censurado e impedido de ser apresentado por cerca
de dois anos, e liberado com a condição de que viesse a
se apresentar sob o título de "É Isso Aí Bicho!",
o que obviamente veio a prejudicá-lo no momento específico
e naquilo que seria o seu maior objetivo: a divulgação e
a vivência da "Paz, do Amor e da Liberdade". |